ENTREVISTA COM IRONBOUND

Trazemos agora mais uma entrevista com uma das bandas que compõem o cast do 9° Boqueirão Festival. Temos aqui algumas palavras dos meninos da Ironbound que executa com competência um fudido Thrash Metal calcado nos anos 80 e que em três obras lançadas vem agradando e muito ao publico que se faz presente em seus shows.  Provavelmente a melhor banda do estilo atualmente no cenario do interior baiano. Confira!

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1. Saudações amigos da Ironbound! Vamos começar este papo falando sobre como é pra vocês manter a banda na ativa em meio a tantas obrigações que acredito vocês tenham na vida pessoal de vcs e o que os motivam a continuar com a banda? 

Angello: É sempre uma satisfação falar contigo, Adauto! Há dois anos, quando nos reunimos – eu, Kenion, Daniel, Raul e André – e decidimos iniciar o trabalho com a Ironbound, algo que ficou bem claro e definido foi o objetivo em comum que tínhamos de fazermos o melhor para encararmos de fato o desafio de tornar aquele projeto real. Hoje, vejo que essa determinação foi primordial para que soubéssemos conciliar as nossas vidas pessoais e os compromissos da banda. Desde o início, nós colocamos a Ironbound entre as nossas prioridades, e essa postura foi o que nos permitiu administrar tudo o que fizemos até então – sessões de composição, ensaios, gravação, promoção do material, shows, contatos. De certa forma, tivemos um planejamento para que as coisas ocorressem da maneira mais viável e descomplicada possível, e esse planejamento incluiu também conciliar os nossos afazeres pessoais com as etapas iniciais desse processo de formação da banda. Continuamos lutando para tornar as coisas ainda mais consistentes, e este propósito de seguir ajustando as dificuldades para seguir adiante tem somente um motivo: nós gostamos do que fazemos, gostamos da nossa música. É o suficiente para nos estimular a não parar.
2. Ironbound tem feito muitos shows pelo interior e dentro do estilo que fazem é hoje uma das melhores no estado. Como vocês descreveriam em palavras um show da Ironbound?

Angello: Temos tido a sorte de encontrar aliados por todas as cidades do interior nas quais passamos. Tenho observado uma forte interação entre as bandas interioranas, o apoio e respeito mútuo são efetivos, e o resultado disso não é apenas o intercâmbio, mas principalmente a amizade e a estima que se criou entre estas bandas. Hoje, quando participamos de eventos em localidades vizinhas, algo que acontece de imediato é encontrarmos com amigos, através dos quais acabamos conhecendo pessoas estranhas que também acabam se tornando novos apoiadores. É esse pessoal que geralmente está lá, próximo à banda, trocando ideias, bebendo, batendo cabeça e berrando os refrões. Um show da Ironbound é isso, thrash, cerveja e um bando de maníacos que resistem música após música, riff após riff, até que soe a última nota.

Daniel: Sempre que estou prestes a subir no palco com o restante dos membros eu paro e penso sobre os verdadeiros motivos de eu estar fazendo aquilo ali. Compondo, ensaiando e me locomovendo de minha cidade para tocar em outra, muitas vezes até com uma baixa ajuda de custo e é aí que eu tiro a conclusão de que se eu chego até ali sem me incomodar ou me render nem um pouco às dificuldades que aparecem no decorrer, é porque eu devo gostar de fazer isso, e não é pouco não! E acho que todos os músicos/produtores bangers que realmente gostam do que fazem pensam como eu. Podem ter certeza que o que irão encontrar no show da Ironbound é muito thrash metal influenciado pelas lendas old school que rodeiam essa porra de mundo, thrash metal não brilhante e super técnico, mais sim feito com raça, feeling e sinceridade como deve ser, estamos indo para Cícero Dantas mostrar o que sabemos fazer e espero que os metalheads presentes curtam, façam mosh pit e batam muita cabeça (estamos trabalhando para isso), será uma honra para nós.    

3. Finalmente estarão descendo pra um show nestes lados do estado, quais as expectativas para o dia 22 de junho no 9° Boqueirão Festival?

Angello: Não tenho dúvidas de que esta edição será memorável! Todo o trabalho que foi feito – desde o contato com as bandas, a escolha do cast, as substituições em função dos cancelamentos, o direcionamento da divulgação, o suporte às bandas selecionadas – é a prova de que estamos a caminho da maior celebração metálica do nordeste do estado! Aliás, esta edição realmente priorizou o Metal, e está aí um cast que abrange as principais vertentes do estilo, mesclando bandas novas e outras veteranas, como a Martyrdom, a Gestos Grosseiros e, obviamente, a Mystifier, que é uma referência, para o mundo, do metal baiano. Além dos shows, há também uma expectativa quanto à interação entre os headbangers, afinal teremos álcool em abundância – provavelmente muito licor – e material de qualidade sendo negociado no Covil Underground!

Daniel: Só de olhar o flyer do festival e prestar atenção no cast das bandas já da pra se ter uma noção de que vai ser do caralho, nem precisa comentar, todos merecem o devido respeito e principalmente você, Adauto, que foi o mentor desse ótimo evento juntando bandas fodas e dando a elas uma estrutura a altura para que possam fazer o que sabem fazer de melhor, resultando assim em um publico de metalheads satisfeitos e bêbados no final (risos). Para nós será memorável como, disse o amigo Angello, uma grande noite metálica com certeza!

4. Já conheciam o festival? Como ficaram sabendo da existência deste e o que acham do mesmo?

Angello: O primeiro contato que tive com o Boqueirão foi em 2005, na época em que, juntamente com André (baixo), fazia parte da Sick Life, banda com a qual trabalhamos por quase oito anos. Na época, nós chegamos a fazer uma apresentação em Ribeira do Pombal, município que fica próximo à Cícero Dantas, e pouco depois daquele show nós recebemos o convite para participar da segunda edição do Boqueirão. Estávamos a todo vapor divulgando a demo Blessed by Hate e tentando fazer o máximo de contatos, então topamos participar na hora! Infelizmente, antes da data marcada para a realização do evento, tivemos algumas baixas na formação, e fomos forçados a cancelar a nossa participação, embora a logo da banda tenha sido inserida nos layouts dos flyers e cartazes de divulgação. Desde então, a vontade de voltar a fazer parte do cast sempre existiu, e acredito que esta nona edição seja uma oportunidade de quitar esta dívida que temos com o evento e, ao mesmo tempo, de participar efetivamente, pois hoje temos um trabalho mais firme e estável com a Ironbound.

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5. Nas redes sociais vemos muita gente dizer que gosta de Rock/Metal, mas nos shows a realidade é outra. Qual a sua opinião sobre isso e o que dizer para esses que preferem ficar em casa atrás de um computador ao invés de ir aos shows, obter os materiais das bandas de sua preferência e ajudar o underground ser mais forte?

Angello: Embora reconheça a funcionalidade e utilidade das redes sociais para a divulgação de bandas e eventos, é inegável que a liberdade e a permissividade destas redes exigem de nós uma triagem maior de tudo o que é postado, comentado, publicado, seja lá o que for. É um meio em que se pode facilmente inventar, fingir, distorcer, em que muitas afirmações não passam de disfarces. Muitas vezes não se sabe nem a real identidade das pessoas com as quais se mantém contato. Então, fica complicado mesmo tomar qualquer afirmativa ou opinião postadas em redes sociais como parâmetros para medir algo. No Facebook, por exemplo, todos os dias são criados eventos para divulgar os shows na região. Com alguns cliques é possível enviar convites, e com apenas um clique é possível confirmar presença ou não nestes eventos. Mas existe um contraste gigantesco entre confirmar presença através de um clique e programar-se, sair de casa, pegar ônibus (e muitas vezes encarar longas distâncias) para, de fato, fazer-se presente. Conheço pessoas que realmente se esforçam para estarem presentes, prestigiando eventos e adquirindo material das bandas. Mas a verdade é que muitas se acomodaram com as facilidades da mp3 e do Youtube, e ainda que existam eventos na sua cidade, optam por não comparecer, geralmente alegando motivos grotescos como o preço da entrada/ingresso. O curioso é que são basicamente as mesmas pessoas que frequentemente reclamam da suposta escassez de shows na cidade e em cidades vizinhas.

Daniel: Essa questão das redes sociais em relação a apoiar ou não apoiar a cena local é infelizmente uma realidade, há pessoas que vivem criticando mas nunca fazem algo produtivo para que se melhore a situação, esses supostos indivíduos na maioria das vezes são pessimistas e tem uma mente atrasada, nada nunca vai estar bom para eles, sempre irão reclamar de tudo apontando defeitos inexistentes quando na verdade quem deveria mudar são eles.

6. A banda possui 3 obras gravadas e lançadas. Poderia falar como foi e tem sido o trabalho de divulgação e distribuição delas? Como está sendo a aceitação?

Angello: Ter nosso material autoral devidamente gravado sempre foi uma meta que perseguimos. Na Ironbound, são cinco pessoas compondo constantemente, então as ideias para novas músicas surgem muito rapidamente, mesmo quando a prioridade não é exatamente essa. Então, manter uma frequência de gravações já era algo previsto desde o início, primeiro porque sabíamos que isso ajudaria a manter o nosso material atualizado, com novas músicas sendo disponibilizadas semestralmente, e segundo porque evitaria que acumulássemos muitas composições sem tê-las registrado em estúdio. Tivemos experiências anteriores em que compusemos uma quantidade significativa de material, mas que acabamos não gravando em função do encerramento das atividades das bandas e projetos dos quais fizemos parte. Com a Ironbound, terminamos de gravar o mais recente EP em Janeiro, e já temos composições sendo encaminhadas pra compor novo registro. Por outro lado, admito que a deficiência quanto à divulgação e distribuição desse material existe, e limita bastante o alcance que poderíamos ter se investíssemos mais nisso. Não houve uma quantidade expressiva de cópias físicas de nenhum dos EP’s, em parte pela limitação dos recursos financeiros, mas também por desatenção nossa mesmo. Para este ano de 2013 o foco é exatamente esse, de providenciar a prensagem do nosso material, e com isso direcionar e ampliar a distribuição. Temos planos de lançar os dois primeiros EP’s juntos, em um único CD, com algumas demos, covers e faixas ao vivo como bônus. E em 2014 é provável que iniciemos a gravação do primeiro álbum.

7. Sem mais agradeço a atenção e deixo espaço para suas palavras finais aos headbangers que estão lendo estas e que irão bater cabeça com vocês lá no 9° Boqueirão Festival.

Angello: Agradeço demais pelo espaço e pelo contato que iniciamos lá em 2005, retomado com mais força agora com a Ironbound. Parabéns pelo empenho para manter o Boqueirão por todos estes anos, tenho acompanhado os esforços para derrubar as barreiras que existem, e não são poucas. Peço aos hellbangers que acessem nossas páginas no Facebook e Myspace, busquem pelo nosso material na web, há links para download dos EP’s e há muito no Youtube também. Honraremos com prazer o convite e a oportunidade de estar com vocês em Cícero Dantas! In union we stand!!

Daniel: Gostaria de agradecer pela oportunidade cedida de mostrar a galera um pouco do que é a Ironbound e por ter nos escolhido para ser umas das bandas que estarão aí no Boqueirão Rock Metal Festival fazendo esse som, esperamos executar um thrash metal foda!

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Publicado em 12 de junho de 2013, em BANDAS, ENTREVISTA e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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