Entrevista: ULTIMO GRITO – Banda Punk que estara na 7° edição do Boqueirão Festival.

Trago aqui um bate papo que tive ontem (16/02/2012) a noite com os meninos da Ultimo Grito de mais de duas horas pelo MSN da qual o resultado foi esta entrevista, que espero gostem, pois eles falam um pouco de tudo . Sobre a banda, politica, cena o festival e sua futura apresentação aqui e etc. vai la…

Por: Adauto Dantas

1 – Vamos la então… Pra inicio de conversa Rodrigo, desde quando existe a Ultimo Grito? Qual a ideologia da banda? O que defende e o que propõe aos seus admiradores?

Rodrigo: A banda Último Grito nasceu em 16 de fevereiro de 2006 na cidade de Simões Filho-BA com o propósito de fazer músicas politizadas com caráter critico abordando diversos temas que permeiam as relações sócio-culturais e antropológicas da sociedade.

Estamos fazendo 6 anos hoje, uma data importantíssima para mim, afinal são seis anos de resistência sempre existindo de forma independente e autônoma, ou seja,  “faça você mesmo”!

Como já foi citado a banda sempre teve essa proposta de abordar diversos temas que observamos na nossa realidade com enfoque no que diz respeito as questões políticas e sociais, sempre com um olhar critico e libertário.

Só não gosto muito do termo admiradores (risos) acredito que todos somos colaboradores, sempre pensando na construção coletiva.

2 – Ta certo parceiro… vamos a próxima… Já que você citou as políticas sócias. Vocês são envolvidos com elas. Qual a visão de vocês sobre política? O que acha dos nosso políticos?

Rodrigo: Todos estamos envolvidos seja de forma direta ou indireta, mesmo os que se abstém de determinadas participações. Em particular não acredito no modelo político ao qual estamos organizados, já ta mais do que provado que o capitalismo não deu certo assim como outros modelos tirânicos. Não é possível haver uma sociedade justa enquanto houver a dominação do homem pelo homem.

Apesar de discordar plenamente com tal modelo acredito que é preciso interferir para mudar, ou quem sabe chegarmos a um lugar mais interessante, com frequência participo de conferências, debates e etc. sem necessariamente entrar no jogo deles, muitas vezes com uma visão dicotômica promovendo rupturas ou até boicotes. Também tenho envolvimento direto com educação, trabalhos sociais e culturais.

Falando de forma coletiva em relação à banda, temos sem dúvida uma forte inclinação anárquica e libertária, acreditamos que existem dois grandes meios hoje de transformação que é a arte e a educação, e entre as diversas formas de expressão cultural sem dúvida a música tem um papel de grande importância, acho que isso fica claro se observarmos alguns movimentos de contracultura e suas influências no pensamento contemporâneo.

Quanto aos políticos, como já afirmei, não acredito na representatividade, logo não tenho como ser favorável a nenhuma ação dentro desse modelo, infelizmente a grande maioria está ali em busca de salários exorbitantes, de interesses pessoais, partidários ou corporativistas, não existe nenhum interesse de mudança real, de promover o bem coletivo. Hoje deputados ganham 15 salários por ano para trabalhar 3 vezes por semana, isso quando comparecem, de fato não vejo políticas públicas sérias e compromissadas com o interesse coletivo, os grandes beneficiados são os políticos e as grandes corporações.

3 – Quais trabalhos a banda tem gravados? Comente sobre ele e sua distribuição e divulgação.

Rodrigo: Temos um álbum demo gravado em 2007 denominado como “A vaca punk”, esse foi o nosso primeiro material em áudio, conseguimos vender várias cópias, quase sempre em shows ao longo desses 5 anos, sendo até então o material mais importante que lançamos, pois além de levar a nossa proposta musical e ideológica também abriu vários espaços para a banda.

Além desse material temos outros que só disponibilizamos algumas músicas através da internet,  entre eles estão :uma gravação ao vivo no Festival Água Comprida Underock -2009; gravação de uma pré-produção realizada num estúdio em São Paulo sob a supervisão e orientação de Redson Pozzi (Cólera) – 2009 e um segundo CD demo que seria lançado em 2011.

4 – O que aconteceu que não foi lançado este CD demo de 2011? Como foi gravar com a supervisão do Redson Pozzi do Cólera?

Rodrigo: Não lançamos o CD, pois logo após a gravação a banda sofreu alteração em sua formação sendo assim foi optado por disponibilizarmos apenas algumas músicas. Uma das propostas desse CD era servir como material de auxilio na pré-produção do nosso CD Oficial que estava sendo realizada pelo Redson.

Em 2009 fomos a São Paulo justamente com o objetivo de fazer alguns shows, trabalhar na pré-produção e gravarmos. Trabalhar com Redson foi positivo em diversos aspectos, tanto no aspecto profissional quanto na relação pessoal, afinal 30 anos de experiência acumulada, aprendemos muito, realmente ele nos deu um suporte bacana que só acrescentou, e claro não posso deixar de citar que o Cólera foi uma das influências da banda, escuto cólera desde a adolescência.

Sem dúvidas foi uma experiência somativa.

5 – Falando nestes shows lá em sampa, como foram estas apresentações por lá e como estas foram possíveis?

Rodrigo: Em setembro de 2009 realizamos aqui na cidade de Simões Filho o festival Água Comprida UndeRock, diversas bandas da cena punk do Estado participaram como o Cama de Jornal, Pastel de Miolos, Pés de Frieira entre outras, também nesse festival tivemos a banda Cólera que fazia sua turnê de 30 anos.

Esse contato com o Cólera, especialmente com Redson foi o que possibilitou a realização dessa mini-tur em Sampa. Tenho ótimas lembranças do período que ficamos por lá e dos shows, tocamos em alguns espaços bem underground como o espaço Impróprio onde dividimos o palco com as bandas Sociedade sem hino entre outras, sempre é muito bom tocar em espaços pequenos, também participamos de um dos shows

dos Shows da turnê de 30 anos do Cólera que aconteceu no Hangar 110 e teve a participação de bandas de diversas partes do Brasil, além de nós e o Cólera teve a participação das bandas Horda Punk 77, Muzzarelas e Pamonha Marota.

6 -Continuando… Após a turnê a banda quase que acaba ne? O que aconteceu cara?

Rodrigo: Sim, passamos por turbulências mas resistimos rsrsrrss, tivemos alguns problemas pessoais, conflitos entre integrantes, alteração na formação, foi um momento muito ruim, mas não deixamos a peteca cair.

7 – Quais foram as mudanças tanto em termos de formação como musical devido a influencias dos novos músicos?

Rodrigo: As alterações foram bem significativas, na época o vocalista( Júnior Mascarenhas) e depois o baterista ( Ricardo Digoo)  saíram da banda por motivos diferentes. Sendo assim Álvaro Supernaut que após voltarmos da TUR tinha acabado de assumir a guitarra solo passou a ser o responsável agora tanto pela guitarra quanto pela voz da banda, com isso Rafael Nunes assumiu a bateria.

Duramos mais ou menos um ano com essa formação que sonoricamente ganhou muitos elementos novos, cada músico trouxe suas influências, sendo que ambos tocavam em bandas de Metal, apesar de não ter perdido a sua essência nem sonórica nem ideológica, as músicas ficaram mais trabalhadas, com mais arranjos e etc. e chegamos a gravar um Cd demo que não foi Divulgado, após essa gravação a banda muda sua formação novamente.

A formação atual é integrada por Rodrigo Magalhães (Baixo), Mateus Galvão (Voz e Guitarra) e Marve (Bateria).

8 – Como que é o cenário ai em sua cidade? Parece-me ter muitas bandas, tanto de um so mais alternativo como de Metal. Que bandas destacariam?

Rodrigo: O cenário aqui tem suas singularidades, temos sim uma boa quantidade de bandas em diversos estilos, a grande maioria são bandas de Metal, mas também se podem encontrar bandas de manguebeat como a Cangaço Urbano e outros estilos alternativos. O problema é que temos poucas pessoas produzindo eventos, quase não existem apoios. Ultimamente eu e mais uns quatro poucos cuidamos dos eventos independentes que acontecem no município, posso destacar a galera da banda Rancor e do coletivo Crust or die que tem feito ultimamente um trabalho interessante de forma autônoma fomentando até intercâmbios com bandas internacionais, promovendo produções de Zines entre outras atividades. Temos pouquíssimas bandas Punks na cidade, mas estamos ai para manter a resistência.

9 – E como que anda os planos pra os proximos eventos que pretendem organizar?

Rodrigo: Estamos pretendendo organizar a comemoração do aniversário de 6 anos da banda no inicio de março e além desse estamos preparando para maio um evento com bandas de diversos estados, retomando o trabalho da nossa produtora independente ” BRUTALCORE PRODUÇÕES entre elas estamos cogitando trazer a Horda Punk 77(PR) e  Guerra Urbana(PE).

10 – Vocês já tocaram aqui faz muito tempo ne? Como é ta voltando ao palco do Boqueirão Festival e o que o pessoal que lá estará podem espera da Ultimo Grito?

Rodrigo: Sim já faz algum tempo, é um evento importante para o Nordeste principalmente por acontecer no sertão da Bahia, a última vez que tocamos aí foi em 2007, tivemos uma ótima receptividade do público, também chegamos a ir em 2008, mas por alguns imprevistos não podemos tocar.

Estamos muito felizes por estarmos de volta a Cícero Dantas e por estarmos participando mais uma vez do Boqueirão Festival, a galera pode esperar a Último Grito com uma pegada firme, muito Punk HC, peso, sujeira, podreira e muitos gritos de protesto!

11 – É isso ai amigo!! É muito importante que os eventos aconteçam e que a galera esteja não só marcando presença mais dando seu suor também pra que nunca acabe e que a cada edição o festival se torne mais forte. Aqui é muito difícil achar pessoas pra ajudar ou por falta de tempo ou de vontade mesmo. Qual a opinião de vocês sobre a falta de compromisso da galera para com os eventos e demais ações underground?

Rodrigo: Ainda existe uma grande discriminação por parte do público em relação às bandas locais, muitas vezes você consegue lotar casas de shows com banda gringas, mas quando os eventos são realizados com bandas locais a coisa muda de figura, poucos comparecem e apóiam.

Também existe a questão do comodismo social, as pessoas, sem generalizar, infelizmente são condicionadas e se condicionam a esperar as coisas prontas, muitas vezes reclamam que as coisas não acontecem, mas também não fazem e não colaboram para que aconteçam. O que é de extremo interesse do Sistema esse tipo de comportamento, pois esse tipo de produção clandestina e independe muitas vezes contribuem na formação critica do individuo.

12 – Pois é este comodismo é o que mata! lamentável!! Eu fico puto com isso! Mais vamos em frete… O que você acha sobre um cara que é envolvido com Rock e sendo ele musico ou envolvido em qualquer atividade no meio underground se envolver com política e lançando-se candidato? Seria bom ou ruim?

Rodrigo: Para mim é ruim de qualquer forma! kkkkkkkk O simples fato de estar envolvido em políticas partidárias já avalio como algo negativo, é fazer parte desse modelo, de toda essa exploração!E isso se torna extremamente contraditório se ele for Anárquico ou tenha visões relacionadas com uma outra forma de existência coletiva onde não existam essas relações de poder e de dominação.

13 – O foda é que querendo ou não acabamos precisando dos poderes públicos pra fazer as coisas. A menos que o movimento fosse alto sustentável ne? Digo o publico pagando sua entrada desse pra pagar todos os gastos dos eventos e bandas.

Rodrigo: Rapaz não precisamos do poder público, é possível a auto-gestão basta as pessoas quererem e outra, tudo que existe no dito poder público é de fato de todos nós, é um direito nosso, as supostas propriedades públicas são um roubo assim como a propriedade privada, pois as propriedades públicas passam a ser geridas por grupos que detém o poder. Sabemos que o Brasil cobra os impostos mais caros do mundo e não repassa de maneira adequada por um simples fato, existe alguém no poder gerindo esses recursos!

É possível a auto-gestão, como eu disse, aqui produzimos de forma independente, muita gente produz desta forma ,é só arregaçar as mangas.

Faça você mesmo!

14 – Concordo. Voltando a banda, quais sãos as suas influencias para compor suas musicas e letras?

Rodrigo: Rodrigo (Baixo) A necessidade de se expressar, de colocar pra fora toda  a revolta, o inconformismo, a vontade de transformar as coisas, de romper com o estabelecido, de pensar o novo e questionar o cosmo isso tudo influencia diretamente no processo de composição. Em relação a produções textuais e musicais sem dúvida bandas que me influenciaram e me influenciam  não da pra citar

tudo aqui mas destaco o Cólera, Olho seco, Pennywise, Bad Religion, Nofx, Rage Against The Machine, Ramones e muitas outras. É muita coisa, tanto nacional quanto internacional, outros estilos também são adicionados a lista… rsss

Marve (Bateria) O Bad Religion e Cólera são minhas maiores fontes de inspiração para letras já em termo de instrumental tenho muitas influencias do HC de Nova York, bandas como madball, hatebreed, suicidal tendencies ate por que o nosso baixista é um monstro… e alguma coisa do metalcore e o funk metal do Primus.

Não concordo com a parte do baixista…kkkkkkkkkkkk…não sou tão feio assim.

Já Mateus que é o guitarra e voz da banda não está presente, mas ele também escreve bastante e acredito que suas influências não estejam muito distante das que citamos

15 – Ja eu concordo com o Marvel. Hahahaha… Pra concluir esta entrevista gostaria de saber se já tem o set list que vão tocar aqui em Cícero Dantas e se pode divulga? No mais, meus agradecimentos pela entrevista!

Rodrigo: kkkkkkkkkkk gostaríamos de agradecer a você Adauto e parabenizá-lo pelo esforço de continuar produzindo e colaborando com a cena underground diante de todas as dificuldades e por chegar a 7° edição do Boqueirão que sem dúvida é um festival de grande importância para a região e para a cena como um todo.

Já temos uma prévia do repertório, mas pode sofrer alterações, segue abaixo:

Último Grito, Ironia, Foda-se, Somos a Nothing, Revolução Incrédula, Tecnologia Capitalista, Diferentes ou Iguais, ACM morreu!

Além dessas também podem entrar outras que estamos trabalhando e alguns covers que quem estiver presente no festival irá conferir.

E por fim agradecemos a todos que se interessaram e conseguiram ler essa entrevista até o Fim.

Cantemos a Revolução!

www.myspace.com/bandaultimogrito
www.bandasdegaragem.com.br/bandaultimogrito

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Publicado em 17 de fevereiro de 2012, em BANDAS, ENTREVISTA e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. hm, curti a ideologiiia & principalmente o som , sucesso aew *-*

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